O Estado emitiu 1.180 milhões de euros no primeiro leilão de Obrigações do Tesouro do ano. Os juros voltaram a ser os mais elevados desde a saída da “troika”, tendo em conta as maturidades a cinco e a sete anos.

Portugal regressou aos mercados de financiamento de médio e longo prazo para emitir Obrigações do Tesouro (OT) com maturidades de cinco e de sete anos. O montante colocado foi de 1.180 milhões de euros. O intervalo do montante indicativo para esta operação era de entre 1.000 e 1.250 milhões de euros.

As taxas subiram. Na linha de OT a cinco anos, o juro da operação situou-se em 2,753%, acima dos 2,112% verificados na última operação comparável, realizada em Novembro. Já nos títulos a sete anos, o juro foi de 3,668%, acima dos 2,817% registados em Setembro. A cinco anos foram colocados 630 milhões de euros no leilão desta quarta-feira. No prazo a sete anos foram colocados 550 milhões de euros. Os juros tiveram os níveis mais elevados desde a saída da troika, algo que já tinha acontecido na emissão sindicada de Janeiro.

"As taxas subiram, mas não é surpresa. Desde final de Janeiro que as taxas subiram, não só em Portugal, mas no resto da Europa, num movimento justificado por alguns sinais de inflação", refere Filipe Silva, numa nota. O director da gestão de activos do Banco Carregosa acrescentou que "as eleições em França e o aumento do risco político também em Itália também têm contribuído para a subida generalizada das taxas da dívida soberana europeia". Já Eduardo Silva, gestor da XTB, destaca que houve "uma forte subida" das taxas.

No entanto, Filipe Silva nota que apesar da subida, as taxas "ficaram em linha com o que está a ser feito no mercado secundário. Evidentemente subiram face às últimas emissões comparáveis. Tivemos uma procura muito razoável para um montante emitido que também ficou dentro das expectativas. As operações correram bem." Nos títulos a cinco anos a procura excedeu em 1,5 vezes a oferta. Nas obrigações a sete anos a procura foi o dobro da oferta.  Em relação à procura, Marisa Cabrita, gestora de activos da Orey Financial, considera que se "manteve robusta com as 'yields' observadas a atraírem os investidores que procuram retorno".

Esta foi a segunda operação de financiamento de médio e longo prazo do ano, mas a primeira realizada através de leilão. Em Janeiro, o Estado emitiu 3.000 milhões de euros numa nova linha de OT a dez anos, tendo pago uma taxa acima de 4,2%. Desde o início do ano, a agência que gere o crédito público, o IGCP, já emitiu 4.180 milhões de euros em OT.

As taxas de juro das obrigações portuguesas têm subido nos últimos meses devido a uma combinação de factores. Por um lado, a nível global tem existido uma reavaliação global desta classe de activos, devido às maiores expectativas de inflação. Por outro, também a especulação sobre quando o BCE começará a retirar os estímulos tem afectado o desempenho de alguns títulos de dívida da Zona Euro. Neste ponto, a dívida portuguesa tem ainda sido pressionada pela redução significativa das compras do banco central devido à escassez de títulos decorrente do limite de 33% por linha ou por emitente definido pelo BCE.

Além disso, as agências de "rating" que se têm manifestado sobre Portugal, como a Moody’s e a Fitch, por exemplo, têm mostrado cautelas em relação à dívida portuguesa devido aos problemas no sistema bancário e e ao que defendem ser a pouca margem de manobra que o Governo tem para fazer reformas estruturais.

Fonte: jornaldenegócios.pt